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sábado, 14 de novembro de 2009

O desprezo disfarçado não dói.


Imagem: Henry Fuseli.

... A um belo poema - ainda que sem Deus -
Se eu fosse um escritor, eu, nas minhas palavras,
não falaria de divindades nem de culpas
nem dos encantos de suas seduções escritas,
não citaria santos e nem muito menos os Profetas:
nada das suas celestiais juras
ou das suas enormes imprecações...
E sim, eu citaria os poetas,
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Rezaria seus versos, os mais belos e desconhecidos,
Porque poesias puruficam,
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E promessas me roubam a loucura.

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Textos André Agui.

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Nos livros o Tempo se traveste de fascínios

Numa batalha onde não se morre

Enquanto Profetas se vestem de Deus da chuva

E os poetas se vestem de índios.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Frases de cabeceira



I

Não senta-te na planície do tempo a espera dos sonhos. Um dia passará Maomé a caminho da montanha, outro passará a montanha a destruir-te.


II

É difícil fazer compreender ao pássaro que o chão é a profundez. Exceto, se enviares um homem e colocá-los para voar.


III

" ... Mas ao menos fica angústia do que nunca serei, a caligrafia rápida destes versos, como porcos partidos na mesa para o jantar do Impossível ... "


Textos André Agui


sábado, 19 de setembro de 2009

Poesias



- Genealogia


O lado verdadeiro da moral


A razão é o meu corpo vagante

Que se perde ao chão

Deixo então adormecer este objeto

Num espaço de qualquer esquina

Como um desesperado verso

Que implora por sua morte

Na ânsia de ser reconhecido...


Depois dos encontros


A tristeza dos amantes

É uma muralha infinita

É como um canto de um verso

É como uma gargalhada imprecisa

De um lábio insaciável.

Na verdade, é como um brilho

Que nunca se apaga

No desejo ofuscado da noite.


Onde andas?!


Sigo passos a toda hora

Em você desejo a vida

Que eu não soube ter

E se eu não te achar hoje?

Seguirei um caminho muito perigoso

Lá há uma estação ainda vazia

No perigo da morte das estradas.


(...)


Passo a vida cheio de saudades

Aquele que sempre amou

O homem do mundo

A dor que não se acaba

A amada que já foi embora

O presente que convida

O futuro que se recusa

Deixou-me e não avisou nada

Acompanhada da minha solidão

Adeus, diz mais uma lembrança

Empilhada nas paredes do meu quarto

Quarto que se foi por trás da porta.


A busca...


Detenho a pegada junto à cama

Algo acende o que já está perdido

É ele o tão terrível homem

Pouso então devagar

E na parede úmida do meu quarto

A sua sombra volta-se na paz

E a minha esperança pulsa

Na porta entreaberta de Deus.


A foto do mundo


Todos estão em minha volta

Esculpidos pela dor do sofrimento

Como figuras estúpidas no tempo

Pulsados pelo mistério dos silêncios

Abraçados à terra

Dentro de caixões sem muros

Enfeitando a sala de Deus

Como porta-retratos.


A última forca


Foi quando precisei da sua mão

Da sua forte mão direita

Mas tão fraco se fez a sua mão

Que cai no abismo da terra

Deus era canhoto!


Textos André Agui

Poetercetos



R e v o l u ç ã o de l e t r a s







Com gritos aprisionados na lucidez feroz
do desprezo.
Na noite e dia o tempo circunda
Empoeirado de pequenos silêncios.









Das letras e sílabas que não podemos ler

Como árvores, folhas e pássaros imaginários

Descansa um verso que se terce.









Na cidade dos pequenos sorrimos com a escrita
na metamorfose do cheiro e nas paisagens
Brancas de folhas
No desvelado remar sem dedos.









Textos André Agui.

domingo, 13 de setembro de 2009

Poesias - Amor e Silêncio

Minhas veias


Rasga-te veia cala-te

Daqui de dentro tudo é inexplicável

Daqui de dentro tudo é descarnado

Rasga-te veia cala-te

Sinta o chão suave que deixei

Escuta o abandono de minha voz

Observa o que guardei para ti

Mesmo quando não havia noite

Rasga-te veia cala-te

Porque agora já fúria

Porque tu és livre

Porque o desprezo também o chama

Porque conheceste um chão amargo

Rasga-te veia cala-te

Porque tu me enojaste

Porque teus olhos apodreceram

Porque és vagante agora

Rasga-te veia cala-te

Porque tu és livre

Porque tu existes

Porque tu derramas

Cala-te veia mas não me abandones

Porque se vós não existísseis

O que seria de minhas lágrimas?

Ao meu silêncio o que eu diria?

Chora-te veia cala-te

Porque sou o fim do dia

Porque eu te rasgo agora!


Pai


Lembro-me como hoje

Eu vivia nos teus braços

O teu sorriso era de paixão

Dos meus tu zombavas

E a tua tristeza ia embora

Mas alguém te roubou de mim

Não chores pai porque eu ainda estou aqui

E esse alguém que te roubou

Fui eu quando cresci pai

Enquanto tu dormias.


A trilha dos sábios


O sábio caminha no inferno

Ilumina o seu próprio tempo
Algumas frases confusas
Depois adormece cansado

Acha na vida a dor e a morte

E tem o poder da sua indecisão

Nos sonhos se reencontra

E como cada amanhã em toda parte

Toma o vinho desesperado

E delira enquanto se olha

Fingindo que se embriaga

com suas mãos de mendigo.


(...)


Não invento sol nas minhas páginas!

É hora de sorrir, correr, saltar...

e nem sei que paisagista sou,
mas sempre vou em busca de descobertas
perseguindo minhas horas quotidianas...

dançando nas folhagens das árvores!
E o que eu iria anotar nos papéis

morre vagando insolúvel no ar

sonhando nos leves dedos das mãos.


Hoje me senti...


como quem já passou

por essa vida e morreu

Pode ser mais,

mas soube menos

do que eu


Porque a vida só se doa

pra quem não se

encontra

desejo paz para

quem ainda

não amou,


pra quem chorou,

pra quem sofreu

E me arrumo para o café da manhã

Sentindo a dor do tempo

Pensando errante na vida


que saudade da juventude,

pois sou escravo e


fui sepultado por ela

através das mãos de Deus.


A mera paixão


E nela não mais vejo o meu sorriso

Nem meu rosto melancólico

Nem meu brilho quase apagado

Ela não me traz mais a dor nem a solidão

Não me lembra que eu era um amor impossível

Nem dos lugares em que eu poderia estar

Não me traz mais o amor do passado

Nem amargura pelo que fiz de errado

Ah! Eternos céus de amores...

Não pedirei desculpa ao teu pobre corpo

Nem ouvirei mais nos cantos de cada verso

A procura da mulher perfeita

Que só agora saberei olhar

Com os meus olhos de cego.



Textos André Agui

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Shajarat al-Hayah

Reflexão - Leveza do deserto.

Feliz a sós!


I

Dorme-se a mão que escreve

E tendo já escrito,

Segue as estradas;

Nem toda a tua misericórdia

Ou a tua ciência exata

A atrairão de volta

Para o que já foi,

Tudo é matéria prima para os teus caminhos.

E nem todas as tuas palavras

Levarão uma só de suas lágrimas...

Apego, paixão, compreensão

- eis os fundamentos do homem.
Escrevemos com amor

O poema da adolescência
Como a música que orquestramos

Da nossa existência.

E pensas que se um dia

Uma flor esteve no teu coração

Se a um Deus e justo te endereçastes

Ou se embebedastes um dia da taça erguida

Contraste então um dia a tua vida

Que tudo não será em vão.


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II

Na floresta não existe mais o vento
Quando o inverno se aproxima

Segue seu destino curso errante...
Todos nascem escravos

Daquele que repudia a sujeição
E se ele um dia se levanta da terra,

Indica-lhes o caminho,
Dá-me o instrumento e canta!
E o belo lamento da flauta

Perdura mais que os homens

O canto é o pássaro da mente.



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III

Os olhos foram feitos para ver coisas desusadas
Fez-se a alma para gozar da alegria e do prazer
O coração foi destinado a embriagar-se de aflição e da ausência
A meta do amor é voar até o céu.
Para além das causas estão os arcanos, as maravilhas
E os olhos ficarão cegos quando virem que todas as coisas são apenas ceifas.

Peregrinar nas areias nos exige suportar beber leite de camelo, ser pilhados como escravos;
Mas derrotado, o peregrino ainda beija a pedra negra do deserto e glorioso por sentir mais uma vez o toque dos seus lábios no chão da terra.

É como degustar antes o teu beijo, oh alma, Deus pendura a sua colheita e não cunha as moedas valiosas como ouro.


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IV

Eu te amei, não nego, eu te amei um dia
Sonhei com minha tristeza em vencimento
Sem
saber que esse veneno era o mais violento
Nas doces paixões dos nossos dias.

Que amor benigno eu satisfazia
Esse coração de amor isento
Agora que chorava bem atento
E que não conheceu nem tão pouco fingimentos,

Pois ninguém por amor fere pelo pranto
Somente o engano; porque agora eu sinto,
É que nos tem destinado esse estrago; tanto.

Mas nas tuas lágrimas as quimeras eu ainda sigo
E que foi amor de uma alma em desencanto;
Amor de um coração só tão infinito.


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V

Portanto diante de tudo meus grandes irmãos

Esconde-se ainda o ser no ilógico

Desfruta-se na presença de apenas ter

Como se fosse mágica brotada do chão

Sentir ser escravo do mitológico

Que deus por brincadeira construiu

Sonhos atentos ou artifícios enganosos

Para roubar do mundo a ilusão

Para não caírmos facilmente na malha da morte

Escravos dos costumes dos intelectos

Ou para viver a nossa vida sem putrefação

Jogarão nosso corpo no mundo

Fizeram-nos infidamente simbólicos

Assim seguiremos eternos no templo da sina

Com blocos em nós feitos de almas.


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VI

Ah, é tudo um canteiro de noites e dias

Os homens são artifícios e o acaso temerário
Com eles se move e toma o chá das acácias.
No céu, a mão esquerda da alvorada
Na taverna uma voz escuto na algazarra
Façamos o que é mais do que há por fazer

Antes também que nós ao pó voltaremos
Pó vai para o pó, sobre o pó se faz vinho

Sem canções e sem cantores.


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VII

Ainda assim se a tua vida

me trouxer algum dia
Dizer que me ama

e eu ser por ti amado
Os termos ais

no meu pranto magoado
Teu desprezo por mim

não será longos dias;

Confunda-me então

na soberba de tuas alegrias
Ou no ódio injusto

violento ou desgarrado
Com que atrai os meus

tristes olhos arrastados
Ao meu ingrato rigor

que o conduzia.

E já que enfim sou mísero

e assim me fizeste,
Dirás lisonjeado, Deus, ainda

na dor ou na saudade
Que me verei no fel morrendo;

e assim o quiseste.

Que te verei cruel

em verme a adorar-te.

Que também não fui ingrato,

nem calado

e assim morreste...
Feliz fui eu que mesmo

assim pude amar-te.



Textos André Agui.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Do outro lado...

De vez em quando

ao acordar fecho pupilas,

Abre-se vitoriosa

uma imagem, então,

Na tensa paz dos

músculos que se instila

Para morrer dentro

do teu coração inútil.

De tanto caminhar

nas grades

do teu pesar

Esmoreceu e nada mais

além de terras

Como se houvesse

nosso amor na guerra

Vida apenas calma

e tensa para nos olhar.

Tuas farpas andantes

e flexíveis, teus vultos

Em círculos inconstantes

e que decrescem,

Dançam nas folhas

em torno ao oculto

No qual teu grande

impulso se arrefece.




Texto André Agui.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O Eu




O corvo na minha janela

Ai de mim! Como estou tão despreocupado
Como num banho calmo assim me esqueço
Quando vejo desmaiar no mato espesso
Nosso passado em lugar de sofrer fica pasmado!

Ouço o rumor desses amigos desaforados
O lobo no tempo que ouço sem sucesso
O bar fechado, a chuva fina e assim desconheço
Não menos do que o abandono ao mesmo lado.

E meus olhos se perderam de mim nessa rotineira luta
A corrente fatal de algo indeciso ou em desespero
Ao ver-te dentro de mim enquanto o dano se executa.

Um pouco apenas no meu pensar eu suavizo
Onde estão agora os irmãos se o mal me escuta;
Que triste alívio não saber dos teus destinos.



Dormindo com rosas...


Mas que irá morrendo ao passo constante
Iremos também romper a fé dos nossos segredos
Não há quem acredite em amor errante!
Por que desde sempre o coração foi de amante...

Nunca adorei belos altares se não mereço
Assim saibas, amor, que o mundo tem seu exato enredo.
Quando vês, é apenas o fel das derrotas
E que o destino em nosso templo nos pendura

Na cama esta estampa é só figura
Na fé é só oculta e no pesar estórias...
Este corpo, querida, que janta contigo nas horas

Foi o trono contente em outras auroras!
Mas este coração com quem ternuras agora
Hoje chora infeliz como criança.






Dor


Quando eu escrever um poema e não gostares
Talvez não seja a liberdade que procuras
Talvez não seja o desejo que tu sente
Talvez seja eu a me mostrar inútil

Quem não aprecia uma bela intimidade
Na beleza de uma paixão ainda dormida
Na beleza de acordar algum anseio
Desculpe-me leitor por te fazer dormir,

Pois não sigo ainda o amor fingido
Nem prossigo no caminho de suas lágrimas
Apenas imagino a liberdade de um amor

Em busca de olhar os olhos mais dementes
Numa cama insaciável que ama e mente
A dor que eu não posso ter em teu corpo.


(...)

Saio às vezes seguindo em direção ao vento
Desço estradas e observo pequenos postes e canais
Seguindo olhares estranhos e embriagados demais
Nós todos misturados nos brilhos do céu
Quanta melancolia, alegria e tristeza.
Deus também estava deitado tirando suas vestes
Enquanto eu silenciosamente desejava-me nua
Ele que comia as mágoas do mundo,
Eu que no entanto procurava tirar sua roupa
No bordel os demônios estão mortos
Além do que qualquer tipo de plenitude
A vontade de lhe impedir de andar
Sou do mesmo modo a prostituta
Em busca também do filho.






Transparência do tempo noturno...


Estas heranças surgiam dos meus medos
Trilhas dos passados mais ausentes
Por que não haveria este lugar
Se ainda as minhas mãos estão famintas
Se a minha loucura pede para beber lágrimas
Se para todo sempre devo ser esquecido
Por que não haveria este lugar
Se todos os dias eu adormeço
Assim na calma dos meus escuros
Se todos os dias eu me sinto ainda um intruso
Em noites de núpcias com a agonia
No outro modo em peles ao avesso
Tremendo assim como eu mereço
Sobre a queda translúcida dos nossos ombros.






Soneto da luta...


A vida me fez de uma tristeza diminuida
Da terra bem doce assim bem amena
Deu-me olhos minúsculos de boas vindas
Que parecem ter sempre em mim a pena

Banhou-me a alma e o meu corpo como sina
Entre os rumores de um crime em cena.
E por criar-te assim leve e pequena
Soprou-me no coração a calma divina

Ó formosa vida te fiz em mim tão soberana
Que te darei anjos como uma irmã fria
Mas ao enterrar-me na carne predileta

Deus comovido nos criou em forma humana
E para minha justa moradia
Atirou-me nos braços da guerra.





Deus onde se encontram teus pés


Deus, vai buscar a minha tristeza
Que grita lá no tempo e sofre agora
Anda, traz-me ela que sai na aurora
Como vem tão lerda e tão vermelha!
Já perdi noutro momento minhas orelhas
Por desrespeito queira vós matar-me agora,
Mas não se vá também depois embora,
Pois não quero perder quem me aconselha.
Que desencontro será este tão pesado?
Nada me responde e nada me diz filho
Ora em que mãos se encontram teus abraços
Mas ai de mim! Que ainda cego e sem delírio
Como hei de te acusar de descuidado
Se toda miséria tua é meu destino.


Aos amigos que me seguem no temporal.


Levai-me com muito amor ao teu lado
De cá, é como andar ainda sem graça
Atira-me no peito e me faz tua terra
Bastando não ver nossos rostos magoados.
Ando ultimamente tão assim pensado
E ao fiel que trás na vida minhas pernas
É o mesmo que comigo esteve em guerra
Não importou a causa da morte ao lado.
Se quiseres me conhecer não venhas seguindo
E verás belezas que eu hoje tanto imploro
Não; tanto não sou também vossos abrigos,
Mas se quiseres mesmo seguir, eu te sigo...
E se vá depois então se és meu grande amigo
Chora comigo hoje como eu choro.


Textos André Agui.

Sonetos




Canção dos meus delírios


Não faço poemas para me entristecer

E apenas adormeço se não há motivos pra dor

Não tenho mais sangue. Nem ardor.

Tristeza a esmo... Remorsos...

Mas dói-me no coração amargamente

E me derramo gota a gota no chão profundamente

Se nessa folha angústia pouca

Assim de repente com lábios vãos

Deixando-me no céu a boca.


Em ti e pra ti nas rosas...


Algo mesmo me ouve,

como as árvores os troncos
Elas que me transformam

no mundo como gente;
Qualquer um nelas

o seu estrago ainda sente
Como eu sinto também

os seus belos cuidados.

Sou triste não nego

os meus amontoados

Vós, ó minha vida de sangue

que morrerá um dia
Firme me contemplastes

por cima dos mundos
Nos braços das cidades

na tua bela nostalgia.

Consolai-vos então hoje

ó corações tão duros
Que sonharei também

ser alegre em algum tempo
Para amanhã nos seus tratos

de amor chorar perjuros.

Em mim são elas

que aí vês vivendo contentes
Ao trazer entre as relvas

de um inferno florescente
A rotineira morte,

companheira dos teus abraços.


Miragem dos mundos...

Pouco me importa

tua formosa esperança
Que fugindo de ouvir-me

friamente some
Se quanto mais me pertubas

e me consomes
Tanto te adoro mais

minha bela puritana.

Já fugias dos meus abrigos

quando criança,
Ou sobre os saltos

aos montes do aonde
Fará imortal então

esse teu belo nome,
Eu por não ser tão firme,

tu por ser tirana.

Para tua lisonja

nos meus pobres cuidados
És agora apenas testemunhas

de um gemido
Este monte de futuros

no corpo do desgraçado.

Por obséquio, por favor,

já fui agora rendido
Bem que eu poderia

ser agora castigado,
Mas nunca mais

me verá tão desvanecido.


Morte na torre da escuridão

Depois que o breve tempo já houver passado
Uns nos verão sobre a segunda agonia
Chegará então o outro mundo desejado.

Eu só tenho tristeza na alma, ó vida cheia!
Não tenho que esperar mais e que seja desprezado
Faz Deus que gire na morte as minhas ideias.

A pressa de morrer aos caminhantes
São pousos que matam na luz do dia,
E na esperança em terra se confia
Que chegue a entrar o porto escuro navegante;

Nem aquele desgraçado passará tão vagante
Na longa duvidosa e instante via
Nem este que atravessa a putrefação fria
levará sem rumo um corpo errante.


Poema da ingratidão do sofrimento

Se eu fosse mandado ao tão esperado purgatório
Seria ainda louco desprezador dos meus instantes
Na terra da carne o que já eu não seria mais
Com fome comendo a suja lama do teu inferno

Eu não deixaria que eles se saciassem sozinhos
A dor que preferirei satisfazer enquanto morto
Esquecida no frio, se contorcendo e chorando
Tanto no não perdão dos meus desencontros

Desejaria que os mais evoluídos não tivessem enganados.
Mas ainda assim se eu de lá hoje fosse libertado
Ainda continuaria fortemente nessa terra escura.

Perdão, Deus! Abraçaria ali um primeiro irmão desconhecido
E sofreríamos ainda juntos aos montes agarrados
No lindo purgatório dos teus anjos.



Na cadeira espessa de Deus...


Não se passa meu Deus

na noite e nem é tão fria
Numa hora só ou nas boas

ou nas más lembranças
Eu que me alegro agora

desse passado sem glórias
Que eu fiz de mal

em levar as tristezas dos céus.

Uma imagem que se debruça

dentro da minha fantasia
Não mais me atormenta

e nem mais te cansa
Roubei de mim também

a alegria e a memória
Que alívio poder me dar a vida

hoje sem rebeldias.

Pois foi contigo que encontrei

meu fado ingrato
Que crendo em te matar

escondido em poucos dias
Deixastes assim para sempre

em mim o teu retrato,

Mas se não há o presente

e nem tão pouco mudanças

Não me falta então na alma

esse teu doce visual trato
Se de tão longe

estou te vendo em semelhança.


Tradição de ternuras despidas...

Não vês, amor, agora o meu vento ríspido
Que arranca o mutilado? Não vês esta
Que vem cobrindo o teu véu - sombra em festa
Entre
o horror de um relâmpago encardido.

Não vês a cada instante o meu ar gelado e partido
Nas linhas de fogo, meus céus e crestas
Tudo consumido, arrasado, e que te infesta
O meu raio negro a cada instante despedido.

Rasga o meu peito já que és tão sem sina
E verás a tempestade que em mim passa
Conhecerás então na alma o que é ruína.

Ah! Não temas então esse estrago que te ameaça
Se és a tormenta fatal que o céu destina
E só assim vejo-te bela, mais cruel e tão amada.


Textos André Agui.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

09 Poemas...


Amar-te é

Poder ainda estar na realidade
Por que pouco sonho
E todos os dias fechar os meus olhos alegres
Para ter que não deixar nada para depois
Assim desperto sempre novamente
Pedindo que me seguissem os olhos
Por que andar só pelos caminhos é pedir por uma magia
Ver a sua mão suspirar entre as minhas
No poder de estar sempre acordado.

Poema das horas

Passam-se os dias, e horas...
E as ilusões amadurecem
Segue sempre o tempo de nós
Entre pedidos de desculpas

Fere-se a carne mais envilecida
Crescem os danos da alma
O ideal torna-se o inadequado
Tantos caminhos e planos

Enquanto de digo – amor esquece!
Curto é o nosso tempo de separação
Que vê, mas que nunca envelhece

Mas queira antes a minha rosa
Na medida em que embranquece
E que de tão linda nos engana.

Janela dos ventos

A cada instante um amor nasce
Hora mais frágil do homem
Quem me dera todos ter amor
E os olhos mais tristes se afiguram
Como o sol que ao mesmo tempo ilumina
E em vos descubro queimar
Na medida em que o tempo passa
Pelo o desejo de ser descoberto.

Rio das mágoas

Este é o rio que deixei meu pranto
Barulhos da minha infância
Na mesma saudade infame
Aonde eu vejo uma morta espécie desesperada
O amor, que se manifesta por trás das correntezas
Na ânsia de me respirar.

Poema do verso

O teu cheiro ainda é minha carta
Renasce em minhas mãos teu rosto
Relembrando entre as folhas, tu.
A me olhar com fartas rosas

Vou percorrendo todo seu corpo
Em torno de despi-la despertamente
Paro; e tão perto te sinto e amo
Como se numa fossem duas vidas

Paixão, tão pouca dor! Quisera
Tanto ir e vir, tanto! E ando
E de tão próximo nunca parto

Paixão, sonhos e preces seguidas
O perfume preso nos nossos corpos
Perdido no súbito riso da noite.

Vento da noite...


E vou morrendo a cada dia
Como os poemas que faço
E o existir ainda passeará sobre mim
Amar, o que me restar amar...
E as coisas lá fora ainda viverão
Nos versos de cada noite.

Se puser...

Este verso que aqui está
É também teu ponha-te nele
Enquanto eu sofro
Lês ver a imaginar.
E nele porás dias comovidos
Por isso ainda viverei
Como alguém que também se atirou
Despido pela beleza da tua tristeza.

Do beijo

Tua boca em mim é pássaro que voa
É um olho pleno que ainda não fere
Não sabe o que é a louca solidão
Não percorre os melhores mundos

Tua canção jamais termina ardente
E se interrompida não se espanta
Apenas é acariciada pela mão que ama
Tão pequena, tão fria, tão cálida...

Que de saudade ainda nada sabe
Nem permanece na solidão eterna
Pois um dia nunca será tarde

Mas que ventos não voam asas
No toque ardente do mero silêncio
Os longos túneis do céu e corpo.

Último amanhã

Um coração para sentir piedade
Mas os olhos se fecharam para a dor do mundo
Ficaram inúteis de amargos trilhos
É como se eu não existisse
Para sentir a perda de um filho
Amar como um pai
Mas, o homem ao meu lado morre
E por aqui passo meditando
Cruzando e descendo os seus caminhos
Trêmulo e ainda sonhando
Longe de passagens erradas que ferem
Como uma mesa vazia
Embebedada de pouco vinho
Um lábio frio que se acaba sozinho
Um copo de vinho cheio
Na procura de uma boca errante.

Textos André Agui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dicas de livros

10 Livros que já li e recomendo! Alguns eu comprei, alguns li por e-books on line e outros que ganhei... boa leitura!

Sigrid Loffler


Poemas de Tarzi


Teses de Soleymann


Harald Welzer


Osho


Johann Fichte


André Luiz


Khushal Khan


Olga Savary


Menotti del Picchia

segunda-feira, 27 de julho de 2009

aula de piano, aprenda rápido!

[Música]

Bach - Polonese.
Partitura, 1ºparte.
Escrevi especialmente pra vocês!
clique pra ampliar!



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sexta-feira, 24 de julho de 2009

espiritismo, uma tarde habitada no inferno...

CAP. 01 TESTEMUNHOS DO LAR DOS UMBRAIS. Por André Agui.

Mateus - Capítulo 8 - Versículo 22
"Jesus, porém, respondeu-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos."

[Ensaio]

Aqui o frio não me anima mais
A chuva agora fere minha alma encharcada
E eu bato na porta aberta
Encontro arrependimentos e angústias
Na porta dos umbrais em busca de nada
Alegrando-me na fogueira da tristeza
Fraquejando quando vejo o sol dessa alvorada
A troco das dores e das ilusões.
Entardecido bato ainda na porta aberta e peço abrigo
Aninho-me em mim mesmo e naqueles...
Livre dos perigos do meu corpo
E limpo das lágrimas dos umbrais
A noite que não me abriga mais
Resguardo-me nesses mesmos escravos
Na porta que está sempre aberta...
Grito pedindo abrigo
Já fui mendigo, já fui homem rico
fui sadio e doente...
Agora sou inquisitor dos meus próprios sonhos
Dos sonhos que eu vendia para mim mesmo
No inferno dessa mesma porta aberta
Sonhos que voam em debandada a bebida alheia
Arrastou-me para o futuro em desejos
Na essência da escuridão
Enquanto Cristo enxuga minhas lágrimas
Toca agora a música ao desconhecido.
Há muito eu não frequentava este lugar,
Era um lugar insólito, sem imaginação e sem atrevimentos.
Junto das criaturas que lamentam sua existência, seus erros e acertos...
Onde eu poderia ouvir rock in roll a toda hora
Sem se preocupar com o que os outros iriam pensar...
Onde meus amigos estarão livres dessa dor...
Continuei servindo café para os anjos negros expulsos do paraíso...
Conversando com vampiros, aqueles que se alimentam da força vital...
Perdi a razão para viver por aqui, perdi a esperança e a minha alegria...
É o que vivemos todos os dias na nossa vida quando caímos no vale do esquecimento
E o pior aqui não é a dor, nem os sofrimentos, nem as ironias, nem o que você irá achar...
Enquanto alma vagante,
Essa morte já foi apenas pra mim a recompensa.
Estava comigo os irmãos com muito carinho, obstinação e rara ternura...
Haviam se retirados da trilha dos desenganos e do desamor
Agora voltavam de novo confusos para as aventuras da terra
Aquela que somente nós sabemos.
Doeu-me profundamente saber seus testemunhos que enveredarão por trilhas ínvias e duvidosas, e que, os levarão novamente às novas e doídas frustrações
Plangendo assim em vossas lágrimas que não os desejariam mais.
Eu guardo uma peça de seda deles nas minhas mãos
E não me atrevo a usá-las ainda
Para que a vossa lágrima no fogo não me marque com mais um dígito no corpo
Para não ser mais um no rebanho de falsos prazeres
Assim subscrevendo na minha alma tuas letras
No capricho da tua louca solidão e pena
flébil e inconsequente nas minhas próprias paixões.
Ó irmãos, estão todos indo embora e não sei para onde eu vou,
Mas trilharão com certeza o caminho do sucesso
Nas veredas costumeiras que os levarão silentes aos castelos dos sonhos de Deus.
Deixai-me naufragar aqui sozinho no pântano
Perdido nos sepulcros dos amores que neguei e deixei pra trás
Em busca das minhas realizações falsas de liberdades.
Algum tempo depois caminhei por sobre o mesmo umbral
Na rota por onde passou um dia o amor
Por isso estou triste agora, mas sempre estou triste.
Dizia-me que vivestes comigo o tempo todo
Por sete longos anos frustrados e eu não entendia.
Ah! Como eu entendi agora, já vieram frustrados para mim.
Mas agora acabo de sair dos teus braços e do teu leito
Onde eu depositei tantos sonhos reais e carinhos plenos.
Hoje os teus beijos me perseguem estonteados.
Amar esse amor me é pesado demais, obtuso e angustiante.
Viestes dos portos onde todos os navios dos anjos se atracam
Não quero esse amor de marinheiro fugaz que me beija
E depois completa-me e vão-se até aos outros portos
Não quero o amor de borboletas noturnas
Que apenas se servem decaídas e tontas
Ébrias por uma rápida retribuição espiritual
Não quero de flor em flor repetir o ritual dos mortos
E dos amorosos aos justos guardiões do portão,
Porém vão sempre nos fazer irmãos
Apenas para nos satisfazer pela louca procura do prazer e do orgasmo infecundo.



Texto André Agui.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

sente-se, tome um café, respire fundo e não assista!



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Obrigado por me conhecer hoje! Sou o poeta André Agui. Espero que você tenha gostado um pouco dos meus versos e da minha escrita! Muita paz no coração!