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Blog atualizado dia 04/01/2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010


***Luto***



Morre aos "trinta e seis anos" meu amigo e irmão Aurélio Luís, no dia 1 de janeiro de 2010. Poeta maior e grande espiritualista.
(de vermelho na foto acima.) Não dá para acreditar.

Mas sei que você Aurélio não morreu, apenas
foi alçar vôos maiores!

Ficarei te devendo sonetos. colocarei aqui neste post quando eu tiver tempo. já terminei de escrevê-los.

Até à próxima! Meu grande Irmão.
Obrigado por tudo!
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Sonetos a Aurélio


I

(primeira parte)


E o golpe da tua profunda angústia descansou

Pela tua partida prematura e de crenças

Pela tua tarefa simples tão grandiosa e de penas

Que era amar os homens na árdua dor da esperança


Destes reavida indulta para quem ainda não pensa

No entanto tudo não era ilusão ainda completa,

Pois tudo é tão fácil dentro de nossas sentenças

Há um novo momento dentro desse teu mundo sem crestas.


Eu que nem fui escolhido a tempo em desalento e que ainda vivo

Estou pior que tu porque ainda estou por aqui e ainda sinto

Também espero o fim do tempo.


Mas mesmo naquele teu olhar de inalterável brilho

Me deste muito amor, glórias, gritos e ensinamentos!

Mesmo naquele teu corpo magro que no túmulo se manifesta.


II


Não na pura primavera onde tudo se renova
Como na infância os maus tempos pulam cordas
O veneno não é o salto e o assalto é delirante
Mas não pense achar vantagem neste incauto

Fado, que a cobiça alarga e é incessante
Se a ti nada demanda de viciante
No reino do teu pobre coração que se sujeita

Se te criticam, não é tua distorção

Porque o agravo é o mais belo presente
Da absolvição o adorno é vão e recusado
Corvo a sujar o teto do quarto em compaixão

Enquanto fores bom, o insulto mostra
Que tens o teu valor e que o tempo te provoca
Pois o Verme na rosa não é nojo.


III


Assim é a vida inconsciente no céu que passa,

Muitos que esgotam do prazer levantam a taça

Sentem também no peito essa dor indefinida.

O último adeus, sem palavras e abraços


Na tua fala emprestada de corpo enfermo

Palavras assim quase não ouvidas.

Na insanidade, porém, da tua febre ardente

Da ventura cama inerte e transitória


O peito franzino de amigo em pele tormentória

Hoje sorriram só os anjos a palpitarem contentes.

Eu sei que há muita coisa na existência,


Aflição que fere até coração de pedra,

Ainda existe a dor em nossa essência

Pois é a vida humana que o sangue enterra.


IV


E, inda perjuro, provo que estamos bem
Conhecendo melhor nossos próprios erros,
A te esperar te deposito na glória
De encobrir faltas, onde me sinto enfermo.

Então, ao me perder de ti, tens toda a história,
Receito também o arremesso do teu ofício
Ajoelhado sobre ti em amor estranho,
Irmão, o mal que te faço nos traz benefícios,

Mas quando me julgas mau e, desarrimado,
Sinto que o meu apego vês com desprezo
Lutando a favor mundo, ainda que ao teu lado.


Pois o que te auferi eu também lucro
Assim é o nosso amor ingrato de prostituto
Na selva dessa vida homens sem nomes.


V


Em silêncio passei a conversar e assim me atinges

Sem palavra apenas com olhar de cego e mudo

Descarnada, delicada, mínima e raquítica...


Mas, de repente, quase morto, ainda esbarro

No farrapo da tua vida agora (de alma) paralítica

Quebrando ainda assim a força do tato que nos amarra.


Estou num andamento inevitável sem infernos e lutas

Sem moléculas invisíveis e nervosas,

Que, em desintegração percorrem o mundo

Cantando vitoriosas, e depois, no ar se executam!


Mas em que matéria será que agora tu vive

Será na luz diante do vento e sem nebulosas

Sem cair em incógnitas criptas misteriosas

Como estrelas dentro duma gruta?!


VI


Eu sei toda sua história. - Em seu passado

Houve dramas d'amor sem ser misterioso

No segredo d'um peito angustiado -

E hoje, para guardar a sua aflição oculta,


Canto, soluço - o coração enterrado e saudoso,

Choro, gargalho e por ti escuto.

Quando penso no aguentar ainda sinto

O seu cabelo revolto ao vento em desalinho,


O seu olhar manso na mesa a tomar vinho

O arcano da sua dor que o escondia como vivo.

Irmão e poeta tão moço e de tristezas jamais desventuradas


Lutou por tanto tempo com sua dita ferida dentro do seu corpo,

Viverá agora em coma assim como eu também pelos caminhos,

No sudário de lágrimas sepultadas.



Textos André Agui.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Frases

São tantas coisas que vão além e que fogem ao entendimento. O nosso cair é realmente deveras perturbador nos tira o sono e nos faz recomeçar tudo de novo por obstruir o andamento de algo que achávamos antes inabitável. Quando algo se perde no sombrio não há qualquer tipo de ternura capaz de fazer entender. A menos que seja inatingível e durável. Realmente nunca poderemos saber quem eram aquelas pessoas que a si próprias ainda não se reconheceram. O bem nos alimentando e nos dando tapas. Tudo que é possível demais é o que vai justamente nos matar. Aprendes!




"Chore só pelo que vale a pena

Suas lágrimas são belas, são vidas, muitas e densas

demais para serem misturadas ao vã mar dos homens."



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Em dias de chuva ao contrário do poeta que deseja ser

ela eu sou apenas capaz de escutar o tiric tarac truc dos

pingos no vidro da minha janela.





Pois a vida realmente é mais

Mais do que qualquer poema

Mais do que qualquer idéia

Ou elucidações.

É bem mais

Do que qualquer dor escrita.

Ledo engano.

Pois essa mistura de tinta quase invisível no papel

(os poemas) também destrói o tanto quanto.

Ela também é capaz de impedir mentiras, de nos

mostrar verdades e de anteparar sorrisos.




(Escutas!)

Não somos Deuses dos sentimentos, nem teríamos

coragem de ludibriar a própria angústia e nem de

esconder nossas aflições, pois sinto mais na felicidade

do que nas próprias amarguras ou na dor. Não iludo almas

menores, não sou alpiste de pássaros e nem tenho

penas. Como um bom poeta eu hoje apenas respirei o

mundo e percorri o chão de sandálias nas areias

molhadas do mar para não ter que furar meu pé num

caco de vidro dentro das águas.



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A beleza de viver e acontecer não são ilusões que horas nos mostram a felicidade outras nos mostram a tristeza como um vôo rápido, mas qual será o seu caminho, o sul ou o norte? Ame com toda verdade e se criará uma forte asa para aprender e voar, assim, acima de tudo, não haverá o que entender, não haverá o que explicar depois de um dia ruim. É inevitável que tudo depois será coberto de bem e de paz. Estarás salvo! Só os pássaros são capazes de conhecer além do horizonte assim tão de perto. Mas se necessitas conhecer os homens, esse não será o caminho. Corta as asas!




O problema não

é a discórdia

com as pessoas

ou o que falamos

de bom ou ruim

para elas,

e sim, qual será

o tamanho real

do ser e da sua

maturidade para

um novo laço

de entendimento.

Eis a questão.

Ou, chega! E fica-se

o belo!

Assim como

o cão batemos

ou somos mordidos

e ele ou nós sempre

entendemos.

Já com os homens

isso não será possível,

algo se torna amargo

seriamente.

Temos que aprender

muito com a natureza.

Um dia na face

da terra Deus

colocará o homem

para aprender sendo

escravo dos bichos.




Textos André Agui.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009



Poesias –

Noites de chuva


I

Poço d’ água

O sapato

da terra.


II

Que mal faz viver
meu cabelo negro, meu rosto cálido,
se tudo é tinta e cor: o mundo, a vida,
a alegria, a aflição?
Por fora, irei vivendo!
A moda que Deus vai nos matando.


IIII

A tristeza é quase sempre um precipício,

Uma bomba no peito do desesperado

Cemitério de sílabas e água.


IV

Os corpos são sopas de álgebras, Morfologias do g r ã o

Ressonâncias de almas.


V

Poema não é dilema
Não chega em agonia e sem tema
nem de maneira que se ajuste
poema não é calma

E nem obra inacabada

e nem três P o n t i n h o s ... na cabeça.

*

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Textos André Agui.

Textos na íntegra por opção ainda não passaram por revisão profissional.
Contato: andreeaguiar@gmail.com